Não peça por paz. Transforme-se

Desde pequena eu usei o fim de ano para fazer promessas e pedir coisas. Geralmente, eu fundia as duas coisas e tentava tirar o máximo da minha responsabilidade sobre esses atos, já que, né, quem dá presente é o Papai Noel. Eu só recebo. E olhe lá, já que eu nunca levei a sério essa coisa de ser uma boa menina.

Conforme o tempo passa e amadurecer deixa de ser opcional, você começa a sentir o peso dos pedidos, pelo menos eu comecei a sentir. Parei de pedir amigos e relacionamentos novos, porque amigos não são plantas que você vai lá as vezes e coloca um pouco de água; parei de pedir para perder peso, já que me amar é mais importante do que o número da minha roupa e, principalmente, parei de pedir paz.

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A história de hoje é…

Laura

Primeira Parte

A dúvida toma conta de cada passo que dou. Talvez eu devesse ter dado ouvidos a Tia Marli, ela estava certa, vir aqui foi um erro.

_ Boa noite senhorita, posso apanhar o seu casaco?

_ Ah sim, obrigada.

_ Adessa, você veio!

Tudo o que eu queria era chegar e ficar escondida em um canto, mas com essa sorte que tenho, claro que a escandalosa da Lola seria a primeira a me notar.

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Prazer, Norma Jeane

Símbolo sexual, suicídio, estereótipos, abuso, casos escandalosos. Tudo isso misturado a um caos mental que se pode ouvir em suas sessões gravadas e expostas no documentário “Marilyn no Divã”. A mídia, como sempre, impecável quando se trata de diminuir mulheres e desvalorizar seres humanos, a via como louca. Mas o quanto escolhemos não ver e o quanto crescemos com a ideia de que ela era, nada mais e nada menos, que uma loira burra em Hollywood?

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Mulheres Cabulosas da História retrata grandes figuras femininas do passado

A História como conhecemos foi escrita e protagonizada por homens brancos e poderosos. Ela menospreza e muitas vezes ignora por completo a participação feminina (e de membros de outras minorias) em eventos do passado, que na realidade é tão relevante quanto a masculina. Foi com isso em mente que as mulheres do Levante Popular da Juventude de Belo Horizonte idealizaram o projeto fotográfico Mulheres Cabulosas da História.

Surgido em fevereiro de 2016, o trabalho retrata mulheres importantes no processo histórico nacional e internacional, em releituras fotográficas feitas e posadas pelas próprias integrantes do Levante. Junto às fotografias, há ainda um texto informativo sobre quem foi a mulher retratada e também sobre a modelo que a encarna, “fazendo assim uma relação de que nós, inspiradas pelas trajetórias delas, damos continuidade à luta em prol de uma sociedade feminista e popular”, como explicam as integrantes do projeto.

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 É tão agressivo assim limpar sujeira? E a sensibilidade do resíduo, como fica?

Helena sabe o que quer, mas não vê como pesar esse custo. Ela vai atrás, mas quem a segue e distancia ainda mais? Se vê cercada de pontos finais, algumas reticências e se aborrece com a quebra da continuidade. Helena quer. O quê? Viver(se). Ser. Clarear a vista nublada da miopia emocional dessa avenida de cruzamentos, semáforos e ladeiras. Mas então há subidas e descidas? E o topo, quanto dura? O verde apagou… Tudo agora é vermelho. O sangue pula das gengivas de Helena quando escova os dentes. É tão agressivo assim limpar sujeira? E a sensibilidade do resíduo, como fica? Tem tártaro nesse molho. Bom… é forte mas doce. Como Helena. Um toque azedo também, aquele azedinho na medida que faz falta no meio de tanto açúcar refinado. Amarelo seria o equilíbrio? Helena não clareia a mente para todos nem para si, sequer consegue clarear seus dentes. Não há retorno para o que foi nem desejo para voltar-se. Ela só segue a avenida a pé, sentindo a leveza do seu corpo limpar tanto vermelho. Helena não busca o branco. Espera por uma nova paleta de cor.

Para as Marias

Eu vejo o feminismo gourmetizado, polido e bilíngue nas discussões em redes sociais, grupos, sites, blogs, política, mídias.
Eu vejo mulheres, em sua maioria, jovens, engajadas, sedentas, impacientes, com fome do agora e do já, cansadas das imposições de um patriarcado machista.
Eu vejo campanhas, hashtags, protestos, porque machistas não passarão.
Eu observo mulheres inteligentes, cultas, fortes, politizadas, exigentes.
Vejo também mulheres alheias. Que não acreditam na causa, na luta, desnecessária elas dizem, coisa de desocupada, coisa de puta.
Vejo mulheres que se atacam, se destroem, competem, se anulam, se matam, morrem, sofrem, desunião.

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Liberdade de escrita

Tudo pode ser descrito

Escrito

Até mesmo o silêncio

         O vácuo também transpassa entre meus dedos

Atravessa o azul

Alcançando o branco

E assim nada mais é silêncio

De repente o mundo transborda sobre mim

          E tudo é música

Vento, desejo, fome, insegurança

Revista, trabalho, viagem

Ovos, animais, imagens

Sexo, raiva, fantasia

Cores, futuro, revolta

Tudo pode ser escrito

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Eu sou meu próprio mar

Não preciso de um marinheiro para me navegar. Quero que ele fique se for para acompanhar meu movimento.  O controle não faz parte da minha travessia, mesmo o mar entende que as ondas do meu cabelo formam seu próprio caminho. Elas se tornam. O marinheiro tentou tomar posse dessas ondas. Ele quis prendê-las num coque, deixá-las menos selvagens e mais retas. Desde quando onda forma linha?  Marinheiro que é marinheiro respeita e compreende o mar, se deixa levar.  Entende essa mansidão que logo se transforma em tempestade, que vem chegando sereno, logo expande e te abraça para o fundo. Como estar com um homem que não aprecia as ondas? Não há fórmula para domar o oceano. Ele é seu próprio domínio, sua casa, sua morada, ele também só deixa entrar quem se entrega e mergulha profundo, não importa o tamanho. Só se apaixona pelo mar quem ama sua intensidade e imprecisão. Sei da minha impulsividade e fraqueza. Sei também da minha força, minha feminilidade. Só quero que o marinheiro entenda: sou eu quem escolho minha forma. São as minhas ondas que me levam.

Elas por Elas chegou!

É bom estar de volta. Estamos com cara e espírito renovados. Durante o período de hiato, aproveitamos para resolver questões pessoais e dar um fôlego antes de retornarmos à rotina. E também trabalhamos em mudanças e aprimoramentos para tornar o projeto algo não apenas mais agradável para a gente, mas principalmente mais bacana para vocês.

Entre as novidades, estamos de roupa nova! O template que usamos agora é mais completo (o antigo, por exemplo, não tinha nem barra de busca!) e com elementos que conversam melhor com nossa proposta. A navegação é mais fácil e dinâmica, e a aparência tem mais elementos do que queríamos para o nosso cantinho.

Também estamos nos organizando para trazer um conteúdo cada vez melhor e mais diversificado pro nosso público. Por isso, vamos mergulhar de cabeça em novos e maiores projetos e formatos. Vamos nos aventurar cada vez mais em vídeo e postagens mais elaboradas, posts colaborativos, reportagens, mas sem deixar nossas raízes de lado: a literatura. Inclusive, em breve devemos ter mais uma novidade com relação a isso, mas por enquanto fica o suspense!

Além disso tudo, esperamos poder ir além desse espaço de uma URL. Vamos produzir mais conteúdo para as redes sociais, tentando não apenas aumentar o nosso alcance em números, mas principalmente em engajamento na nossa causa. Que mais e mais mulheres possam ser lidas, ouvidas e respeitadas. E, quem sabe, não possamos logo derrubar mais uma barreira, e tirar o Elas por Elas do mundo virtual?

Agrademos a paciência de todos vocês e podemos dizer de peito aperto, em alto e bom som: o Elas por Elas está de volta.

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