Redação do Enem aborda a violência contra a mulher e acende debate sobre problemas sociais

Enem
(Foto: Reprodução/Facebook)


Meu texto de hoje é sobre a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Pois é, meus amores, o Enem fez a alegria de muitas pessoas (e o desespero de outras) com o tema da redação deste ano. E o nosso blog não deixaria de tocar nesse assunto de tamanha importância.

     Como fui uma das milhões de pessoas que participaram de camarote (esse foi meu terceiro Enem), já informo a todos que meus lábios se abriram em um radiante sorriso quando me deparei com o tema. Imediatamente, milhões de palavras surgiram em minha mente, afinal, há muito a ser dito sobre. É claro que a ideia de que o assunto já deu o que tinha que dar está sendo considerada, mas é por isso que eu escolhi publicar hoje. Da mesma forma que a violência contra a mulher é ignorada dia após dia, muitos também a desconsideraram no dia de ontem, atitude que não devemos permitir.
 
     Vamos deixar claro que não estou falando apenas dos machistas que abaixaram o topete ao redigir a redação, mentindo sobre apoiar a causa, mas também dos que se mantiveram estúpidos machões e defenderam que a culpa é da mulher – o que, a proposito, resultará em anulação imediata (J). Quero que percebam a importância social e educacional em torno desse assunto, ok? Ficou claro que a forma automática das quais escolas fazem uso para ensinar está caindo por terra, pois quanto menos envolvidos nesse tipo de questão menor será o preparo para participar de vestibulares, Enem, carreira, vida social, etc.
 
     Acredito que conscientização é chave para melhorar um monte de coisas, mas infelizmente ela não funciona em todos. Talvez, se esse tipo de repercussão surgir com maior frequência, as pessoas passem a dar a devida atenção aos problemas sociais.

Carta a você, que espera pela mulher ideal

Olha, cara, eu tô de boa com esse seu desejo, sabe? É sério, eu não vou brigar por esse motivo. Na verdade, eu até aceito que você tenha suas vontades e preferências. Tranquilo se você curte minas assim ou assado, e que não queira nem passar perto das que não são do estilo que combina com o seu. Olha só, parece que a evolução até explica que você procure sempre pela bunda mais redondinha e pelo peito mais empinado, e eu entendo isso.

Continuar lendo “Carta a você, que espera pela mulher ideal”

LOVE IT FORWARD LIST: Envie amor para quem está passando por um momento difícil

Você conhece o projeto ‘Love it Forward List’? Ele foi criado pela brasileira Carolina Areas e tem uma função maravilhosa. A ideia consiste em uma pequena lista de pessoas dispostas a ajudar alguém que esteja passando por algum momento difícil através de cartas/cartões.

“Quando fico sabendo de alguém que está passando por um momento difícil, eu aciono esta lista de pessoas e todo mundo manda uma lembrança, o que puder. Neste mundo em que se digita mais do que se escreve, o poder de um envelope recheado de palavras amorosas é incrível. Imagina, então, quando são vários?! Um cartão, uma carta, um poema, um desenho, uma foto, uma lembrança… É tão fácil doar amor!”  Carol  para o site Follow the Colours.

Continuar lendo “LOVE IT FORWARD LIST: Envie amor para quem está passando por um momento difícil”

Nova coluna: Ideias d’Elas

    Nós do Elas por Elas sabemos que ideias movem as pessoas e que as pessoas movem o mundo. Nosso projeto surgiu de uma ideia que veio do nada e devagarzinho, mas que logo foi nos tomando por completo e nos motivando a colocá-la em prática. Nada mais justo que darmos um espacinho aqui para mostrarmos outras iniciativas com as quais nos identificamos.

     Para esse fim, lançamos a coluna Ideias d’Elas. Para criar uma maior identificação com nossa própria proposta, os posts dela são sobre projetos idealizados por mulheres. Afinal de contas, como sempre reforçamos, achamos fundamental a valorização da representatividade feminina e seu empoderamento. E nisso se inclui mostrar mulheres que fazem a diferença.

     Nem todos os projetos são exclusivamente feministas, mesmo que muitos deles o sejam ao menos em parte. O que queremos são mulheres que façam o bem, que soltem sua voz, que lutem por uma causa, que ajam por um mundo melhor. Enfim, mulheres que pegaram uma ideia e a transformaram em ação.

     Se tiver alguma sugestão de tema para falarmos aqui, manda pra gente. Pode ser em comentário, para o email proj.elasporelas@gmail.com ou nas nossas redes sociais!

Imergir

Verão. O céu mais azul que alguém poderia ver na vida e um sol desejado por 11 entre 10 turistas no litoral. Ironicamente, é logo aqui, no interior. Daqueles dias em que o calor passa do aconchegante, surtindo mais um efeito de vivacidade e animação nos corpos e levando à redução das roupas ao mínimo necessário. Justamente por isso, é essa a época que eu aprendi a odiar com todas as minhas forças. Sim, também odeio o calor e todo o suor que ele propicia, mas comecei a odiar ainda mais as opções que temos para dribla-lo.

À minha volta todos estão felizes e, por que não dizer, radiantes. Não existe outra palavra para definir os efeitos do sol de dezembro sobre banhistas em um sítio. Os corpos em sungas, biquínis e maiôs são razoavelmente variados, exceto por um detalhe: o único gordo é o daquela que os observa, vulgo, eu. Até agora eu me questiono o que estou fazendo aqui, se não me encaixo. Às vezes ainda me questiono como pude acreditar, por um único segundo, que não teria problema em usar um traje de banho de duas peças. E, sim, esse questionamento não me deixa tirar a canga, muito menos pular na piscina.

Continuar lendo “Imergir”

Matéria de Sonhos

Peguei matéria de sonhos, esfarelei-a e, depois de uma fina camada de cola, joguei o pó sobre uma folha de papel. Era lindo. Furta-cor, brilhava e brilhava. Difícil de explicar. Imagine sonhos sobre uma folha de papel. Não dá para descrever, não é? Pois então. Apenas imagine, já basta. Isso porque a matéria de sonhos não é sempre igual. Se você imaginar, assim ela é. A minha, eu imaginava -e via- das cores mais lindas. Você pode imaginá-la verde esmeralda, ou negra com um fugaz brilho púrpura. Ou cinzenta e sem graça. Isso vem de dentro da gente, que não consegue imaginar de outro jeito, porque a matéria de sonhos reflete o que somos. E a matéria de sonhos sobre uma folha de papel é da cor que a gente imagina.

Continuar lendo “Matéria de Sonhos”

Carta a mim mesma, quatro anos atrás

Você ainda não me conhece. Essa versão de você, a quem esta carta se dirige, ainda não tem a menor ideia do que é ser quem eu sou. As únicas verdades que você conhece são as que já vivenciou, por isso eu compreendo se você não conseguir aceitar minha carta ainda. Mas eu preciso te avisar: um dia, em outra fase da sua vida, haverá uma outra “você” que compreenderá cada palavra que eu escrevo aqui. No momento, o que quero não é que concorde comigo, nem que sinta empatia por mim. Só o que eu quero é que você saiba que eu te entendo.
 
Entendo quando você se olha no espelho e se acha desinteressante. Não, você não é. Mas eu sei que você aprendeu a acreditar que essa é a verdade. Te ensinaram isso. E certas coisas, por termos aprendido de uma forma tão aguda, para nós parecem naturais e corretas. Mesmo que elas não sejam, de forma alguma.
 
Também entendo a forma como você vê o mundo e as pessoas. Sua dificuldade de identificação com algumas coisas e os ideais que você formou ao redor disso. Sei que ainda é difícil para você abraçar as irmãs que agem e pensam de um jeito diferente do seu. Você ainda não vivenciou a sororidade*, por isso eu sei que você pode não ser ainda capaz de empregá-la.
 
E, acima de tudo, entendo que você não me entenda. Porque eu sei que não foi por mágica que você chegou ao ponto em que está agora, então também não será assim que sairá dele. Tudo ao seu redor construiu sua mente agora, assim como construiu a mente de muitas das nossas irmãs. Eu as entendo.
 
E justamente por entender tudo isso eu estou aqui, te dando hoje o abraço que ninguém te deu ainda. Não, não é um abraço de autocompaixão, mas de pura e sincera compreensão. Pode parecer inútil fazê-lo agora que você não existe mais (a não ser na memória do que eu fui um dia). Mas, simbolicamente, eu quero que esse abraço se estenda além de você.
 
Quero que ele chegue a cada uma das meninas que ainda são como eu era quatro anos atrás. Meninas que ainda não receberam esse apoio de uma irmã. E que elas saibam que eu as entendo. E quero que, um dia, elas também possam escrever esta mesma carta a uma versão passada de si mesmas. Porque seguir em frente é aceitar o que já fomos.
Assinado: Você, sabe.
 

*Sororidade: sentimento de amor e união entre mulheres, formando uma grande irmandade feminina.

Início

Eu não queria fazer um texto meio institucional para iniciar as postagens, mas vi a necessidade de explicar de onde surgiu o projeto, por isso estou aqui. Para começar, acho importante falar sobre o que me motivou a criá-lo.

Basicamente, foi a percepção da carência de duas coisas diretamente ligadas: a de boas personagens femininas em todas as mídias e a de espaço para mulheres criadoras. São dois problemas complementares que, muitas vezes, se tornam causa e consequência um do outro.

Pare para pensar na maioria das personagens femininas em livros, filmes, na TV, enfim, em variados produtos culturais. Quase todos seguem uma linha muito limitada de estereótipos que ou não condizem com a realidade, ou que caminham lado a lado com papeis pré-estabelecidos pela sociedade para nós mulheres obedecermos.

De outro lado, é nítida a falta de mulheres que se destaquem e que desempenhem papéis de poder dentro da indústria criativa. Na literatura, em especial, vemos escritoras principalmente limitadas a escreverem para nichos. E, muitas vezes, as que conseguem superar a barreira do gênero não o fazem sem desafios.

Pode parecer coisa da época das Irmãs Brontë ter de esconder a própria identidade para poder escrever, mas não podemos esquecer que J.K. Rowling teve de adotar as iniciais na assinatura a pedido da sua editora. O motivo era a ideia de que o público masculino relutaria em ler um livro escrito por uma mulher. E isso em 1997.

Então resolvi criar um projeto que pudesse aliar literatura, representatividade e empoderamento. Pode parecer pretensão demais, mas, para mim, o correto quando se acredita em algo é fazer a sua parte, seja ela grandiosa ou pequena.

Com esse objetivo surgiu a ideia do Elas por Elas. O nome faz referência a esses dois papéis que a mulher representará nos textos aqui postados: criatura e criação. Queremos personagens diversas, descritas e pensadas por nós mesmas.

Por isso, fazemos um convite. Tem um texto bacana, protagonizado por uma ou mais mulheres? Envie para a gente! Nós postaremos os nossos e, se acharmos que o seu se encaixa na proposta, ele pode aparecer por aqui, também!

Email: proj.elasporelas@gmail.com

Quer ler mais sobre o assunto? Seguem os links:

Eu quero escrever um livro sobre literatura brasileira – Ponto Eletrônico

A “mulherzinha” da literatura – Não me Kahlo


Mulheres maravilhosas: Alison Bechdel – Lugar de Mulher

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora