Desculpa, mas é um simples desabafo.

Hoje cheguei em minha cidade natal para matar a saudade que sinto da minha família. Sempre que vou visitá-los acabo saindo para passear  com alguém, e dessa vez não foi diferente, sai com minha vozinha e uma de minhas primas.

Entre uma sessão e outra do supermercado, o assunto que surgiu foi o casamento da minha tia, que está muito próximo, e a necessidade de encontrar uma roupa que esconda todas as nossas gorduras. Nossa família só tem gordas e a preocupação em se boicotar é constante, principalmente com minhas primas adolescentes. Percebi como a festa do casamento aumentou ainda mais a gordofobia existente entre elas, “não tem vestido bonito para mim”, “nenhuma blusa vai esconder que sou gorda”, “vou de calça, para apertar minha barriga”.

Como é difícil ver como elas se menosprezam apenas para agradar toda uma sociedade que não as quer bonitas, mas sim padronizadas e adestradas.

Em uma das lojas em que estivemos paramos para escolher biquínis (o casamento será em um sítio com piscina), aí sim foi um menosprezo total. Não é fácil transmitir amor próprio, na verdade isso é impossível, não podemos transferir. Porém, a desconstrução que eu tenho cada dia mais não as alcança da mesma forma.

Estar de acordo com o que os outros querem é prioridade, cabelo liso e longo, corpo sarado, roupas da moda. Não conseguimos ser nós mesmos no dia a dia, imagina em uma festa de casamento? Onde tudo é  milimetricamente criticado.

Isso foi mais um desabafo eu acho, bem diferente dos textos que procuramos oferecer à vocês. Desculpe por isso, é que me canso do mal que provocam em mim e em todas as mulheres do mundo.

A Rainha de Benguela

Imagem: Google/internet

     Existem heroínas os quais merecem igualmente o nosso reconhecimento assim como as que vemos em quadrinhos e séries de televisão, e uma delas é Teresa de Benguela.

     Mulher negra e forçada a escravidão como muitas no século 18 ( vide  Dandara e Aqualtune já citadas), com a morte de seu marido, José do Piolho, comandara o Quilombo do Piolho ou dp Quariterê, localizado no atual estado do Mato Grosso, entre o rio Guaporé e a atual cidade de Cuiabá.

     Conhecida como Rainha Teresa, negros e indígenas faziam o uso da plantação de algodão – privilégio dos senhores do engenho – para a produção de tecidos, e também do uso da agricultura, cultivando desde milho a mandioca.

     Quando o Quilombo foi destruido pelos homens de Luiz Pinto de Souza Coutinho em 1770, população de 79 negros e 30 índios, rumores que Benguela cometera suícidio ou foi morta por uma doença jamais foram confirmados. Teresa manteve um sistema de trocas de  armas com os brancos resgatados de vilas próximas, transformando os objetos de ferro em instrumentos de trabalho, pois os quilombos da Benguela possuíam exímio dominio da forja. 

     Dia 25 de julho foi instituído pelo Brasil e pela Lei n. 12 987 como dia nacional de Teresa de Benguela e dia da Mulher Negra.

A revolução está no amor

(Foto: reprodução/internet)

 

É muito comum ver uma mulher tentando difamar outra como se precisasse disso para se acrescer como mulher, ou como ser humano.

Me digam por que caralhos existe essa necessidade de buscar defeito na outra? Pra que detonar a ex do atual sendo que ela fez parte da vida do seu atual tanto quanto você está fazendo?

A mídia, e a sociedade tentam o tempo todo rivalizar mulheres ou para vender cosméticos ou simplesmente para sustentar essa sociedade machista onde tudo gira em torno do p…. de homens, uma construção grosseira, mas extremamente verdadeira.

Do que adianta o seu feminismo, se ele humilha outras mulheres, se ele é racista, exclusivo ou difamatório?

A revolução começa no amor, não apenas pelo amor próprio, mas pelo amor entre nós mulheres umas pelas outras.

Pensem em um mundo onde ao invés de putas, gordas, feias, fossemos amigas, aliadas, seres que desconstroem juntas um universo podre voltado sempre para patriarcas.

Não vamos olhar para a outra como se ela fosse uma ameaça, uma inimiga, vamos dar as mãos, queremos as mesmas coisas à luta não é alcançável se deixarmos o ódio nos isolar e nos cegar.

Vamos chegar ao fim do caminho de mãos dadas, nos amando, nos apoiando e sendo muuito mais do que um instrumento de prazer masculino, sendo Irmãs que juntas fizeram a revolução acontecer com o amor.

Casamento x Feminismo – Parte 1

Reprodução/internet

Eu nasci em um lar machista, onde a violência doméstica se alojou em cadeira cativa. Havia o controle sobre a esposa e sobre a filha.

Isso me fez decidir, desde muito nova, nunca me casar. Pra que arriscar uma réplica do casamento dos meus pais? Obviamente eu tentaria percorrer um caminho diferente, mas e se no meio desse caminho minha vida se tornasse um remake de toda aquela violência que eu presenciei e sofri quando criança?

Resolvi que não valia o risco.

Mas o padrão de vida esperado de uma mulher sempre envolve um homem. Somos educadas para gostar de cozinhar, lavar, limpar, cuidar da boneca. Qualidades muito valorizadas quando se diz respeito à uma boa futura esposa. Jamais me perguntaram se eu queria ser uma chef, mas eu era questionada se seria capaz de prender um homem pelo estômago. Me perguntavam se já tinha algum namoradinho, mas nunca qual profissão queria seguir.

Tudo me levando a crer que deveria almejar  um  bom casamento, com filhos felizes e blá blá blá. Então fui planejando minha vida… só que ela seguia a contramão.

  • **Viajar para Florianópolis
  • **Morar sozinha
  • **Curso Superior em Ciências Biológicas
  • **Adoção

Nada me levava aos homens, eu tive poucos namorados (poucas pegações, namorado mesmo foi só um). Fui seguindo os planos, criando novos, abandonando vários. Mas nada sobre longos relacionamentos. No fim, a vida amorosa da adolescência fugia de mim por livre e espontânea vontade.

Então, próxima dos 18 aninhos, conheci o feminismo. Ao contrário do que muitos podem estar pensando agora, ele não me afastou de vez dos homens, ele me aproximou das pessoas certas. Aprendi que desejar a igualdade é maior do que aceitar a submissão, é mais importante do que rejeitar os relacionamentos.

Eu AMO cozinhar, gosto de tudo muito bem organizado e sempre exijo tudo limpo. Aprendi essas essas quando criança para ser uma boa dona de casa, hoje faço tudo isso e gosto. Sabe o que mais aprendi e dessa vez com o feminismo? Que o marido deve cozinhar, organizar e limpar tanto quanto a esposa. Sabe o mais legal? Me casei com um homem que está aprendendo tudo isso.

Ser ou não uma feminista não é motivo  para casar ou não casar. Pare de procurar/aceitar a hierarquia no casamento. Procure pela igualdade, verá como é muito melhor.

Reprodução/internet

Sobre as ausências de alma

(Foto: Divulgação) 

Eu sempre me senti sozinha mesmo em meio a multidão e achei que isso era apenas um dos meus sintomas depressivos, mas com o tempo tive certeza de que não era só isso.

A falta de dialogo e corpo a corpo nas relações cotidianas me assustava de um modo inexplicável, sai do ensino médio e semestres de faculdade se passaram, e comecei a perceber que minhas amizades corpo a corpo estavam se tornando virtuais. Já quase não encontrava meus amigos e meu único modo de contato com a grande maioria era via facebook.

O fato que que esses trilhões de amigos que tenho no facebook em sua grande maioria já foram meus amores, “crushs”, amigos, conhecidos, e hoje não passam de um numero que estampam a minha  pagina, e infelizmente com alguns nem virtualmente eu mantenho um simples dialogo mais.

Nem precisei de tanta terapia interpessoal para perceber que o que estava faltando na minha vida eram pessoas de alma cheia, olho no olho, sentir o calor, a conversa, e as risadas, discutir politica, sociedade, literatura, sexo, que seja, mas não apenas através de um comentário. 

Acho as relações ciberculturais super importantes para uma construção ativista , talvez, mas sinto falta da revolução humana, de sentir a vida em conjunto como ela é.

Pode parecer besteira, ou mais um texto critico a sociedade atual (se soa assim não foi a intenção) mas tudo que eu queria dizer nesse desenrolar de palavras e que sinto falta da verdade, de amigos do pulsar do meu coração com novidades, desleixos  e loucuras, ser humana me faz falta.  

Quatro livros de simples leitura sobre feminismo

 

A introdução do feminismo desde cedo se faz fundamental para o inicio de um empoderamento e para a quebra da sociedade machista construída pela cabeça patriarcal que vem perdurando de séculos ate os dias atuais.

Por esse motivo fiz uma seleção de livros com historias, e introduções ao feminismo de fácil leitura para todas com uma linguagem acessível a todas.

 

(divulgação)

     1-     Capitolina (Varias autoras) 

Uma seleção de textos de diversos temas escritos por feministas na revista virtual Capitolina (As ilustrações também.

 

 

(divulgação)

     2-     Eu quero ser eu (Clara Averbuck)

Com humor, senso critico e sensibilidade, a escritora Clara Averbuck conta a historia de uma menina rebelde que se recusava a mudar sua opinião para se encaixar na normalidade do mundo atual

 

 

(divulgação)

 3-  O Que É O Feminismo (Branca Moreira)

O livro da Branca Moreira confronta os problemas vivenciados pelas mulheres na sociedade atual fazendo um paralelo com os tempos medievais.

 

(divulgação)

     4-     Feminismo e política (Flavia Birolli e Luis Felipe Miguel)

O livro destaca temas de debates feministas e políticos explicando as teorias de forma simples fazendo com que todas as mulheres compreendam e se familiarizem com o assunto.

Johnny Depp em Animais Fantásticos e Onde Habitam: um texto sobre decepção e impunidade

 “Johnny Depp em Animais Fantásticos e Onde Habitam: um texto sobre decepção e impunidade” está bloqueado Johnny Depp em Animais Fantásticos e Onde Habitam: um texto sobre decepção e impunidade
Imagens: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio

Eu não sabia se eu deveria mesmo escrever sobre esse assunto na coluna, porque ele está um pouco passado e já foi falado inúmeras vezes. Muitos dos vídeos, textos e comentários feitos, inclusive, continham quase tudo que eu penso sobre. Mas eu sinto que se eu não fizer isso eu estarei sendo omissa, então vou tentar passar minha visão mais pessoal.

À época das notícias sobre a agressão de Johnny Depp à ex-mulher Amber Heard, eu cheguei a elaborar um textinho para postar aqui sobre o assunto, mas por transtornos pessoais acabei não conseguindo. Nele eu falava que se tivesse que escolher um dos dois para oferecer meu benefício da dúvida, seria ela.

Isso não apenas porque “mulheres são sempre inocentes” ou qualquer coisa do tipo. Há evidências contra ele mas não provas concretas, coisa que dificilmente teremos dado o acordo feito entre os dois. Mas isso leva também a não haver provas da inocência dele (e consequente mentira dela).

Meu benefício fica com a Amber simplesmente pela observação de padrões. Como o fato de ela ter retirado as acusações e aceitado um acordo, comum nesses casos (salvo proporções), ainda mais quando o homem é mais influente que a mulher. E o descrédito pelas acusações é um dos motivos que fazem investigações de crimes contra a mulher não irem adiante. Outro padrão que se repete é a invariável culpabilização da vítima. Cheguei a ler recentemente ela sendo julgada por ter retirado a ação, tendo mentido ou não (o que demonstra tanta falta de empatia que eu mal consigo expressar).

Finalmente, há o fator importância que eu já citei. Ele, por ser homem, já tende a ter a imagem mais protegida pela sociedade. Winona Ryder foi pega roubando em lojas e sua carreira nunca mais foi a mesma. Mel Gibson, entre outras ações deploráveis, bateu na ex-namorada e segue renomado. Sendo Depp alguém mais expressivo dentro do meio em que eles estão (e tendo uma legião de fãs absurdamente fiéis, por sinal), isso se potencializa. A imagem de Amber é que fica manchada, tendo mentido ou não. Ela inclusive correu risco de perder seu papel no filme da Liga da Justiça à época das denúncias.

Bojack Horseman. Imagem: O Filme é Legal, Mas

Depois de explicar minha posição sobre o caso em si, é hora de falar sobre a escalação. Harry Potter é uma coisa tão ligada à minha vida e à minha história que eu nem lembro mais como eu era antes de conhecer a saga. Fui apresentada a ela aos 8 anos, quando minha tia me indicou o primeiro livro – “já que você gosta tanto de ler, tá saindo filme dele agora” –, e depois disso não parei mais. O fato de ter tido contato com ela tão jovem ajuda a mesclá-la ao que eu sou, mas não dá para negar que é uma obra com potencial transformador.

Os livros falam sobre tolerância, respeito, amizade, coragem e outros valores que são essenciais para qualquer ser humano. Valores que, por mais óbvios que pareçam, não são todos tão facilmente encontrados assim. Caso contrário, não existiria tanta injustiça e opressão no mundo, e nem este blog em que agora escrevo precisaria existir. Mas há pessoas que sabem a importância dessas questões e me atrevo a dizer que algumas delas aprenderam isso com Harry Potter. Não sem bases: leitores de Harry Potter são menos propensos a serem preconceituosos, segundo estudos.

J.K. Rowling esteve em um relacionamento abusivo antes da fama e chegou a ser agredida pelo ex-marido. Este fato foi uma parte triste e importante da sua trajetória, tendo inclusive contribuído para sua depressão, que mais tarde inspiraria a criação dos Dementadores (e quem os conhece e/ou teve a doença sabe o quanto ambos podem ser terríveis).

É por esses motivos que para mim (e para uma boa parcela do público) a saga é simplesmente incompatível com a presença do Johnny Depp, ainda mais em um papel de destaque como Grindelwald. Eu entendo que contratos são complicados e que as gravações provavelmente ocorreram antes das acusações, mas por bem menos atores são substituídos. Jammie Waylett, que interpretou Crabbe, não retomou o papel no último filme por ter sido condenado por porte de drogas. Para seu azar, Waylett nunca teve o renome de Depp.

Isso, sem falar que o diretor David Yates defendeu a escolha amenizando o acontecimento e, em outras palavras, reforçando a ideia de que “vida pessoal não interfere em vida profissional”. Ou seja, dando a entender que Depp seria escolhido de todo modo. Como eu citei acima, isso seria verdade se substituições não fossem feitas apenas pela vida pessoal dos atores, e se a imagem de um filme não estivesse intrinsecamente ligada à imagem de sua equipe.

Seguir dando destaque e defendendo um ator acusado de violência contra a mulher é reforçar a sensação de impunidade com a qual nós já estamos tão acostumadas a conviver. Todas as nossas ações são políticas, absolutamente tudo. Por que uma produção audiovisual de amplo alcance e influência, que inclusive prega ideais de justiça, não o seria?

Mais um ponto que me incomoda: o fato de eu rejeitar a escolha por motivos ideológicos leva as pessoas a descartarem todos os meus outros motivos. MESMO se Johnny Depp não estivesse envolvido nessas polêmicas eu não teria gostado. O fato de ele ser americano e o personagem alemão (ou coisa do tipo) é o menor dos problemas (mas é um deles).

Eu já fui fã dele, e costumava defender que, apesar dos trabalhos ruins, ele também podia ser muito bom. Mas eu não era cega e sabia que quanto mais “pop” era o filme, pior era sua atuação. E qualquer coisa ligada ao nome Harry Potter é inegavelmente pop. Ir de um vilão tão bem interpretado como o Voldemort de Ralph Fiennes para um Grindewald muito provavelmente caricato não me agrada nem um pouco.

E os dois aspectos nem precisam ser totalmente desassociados. Yates defendeu a escolha com base na ideia de que Depp seria o melhor para o papel. O fato dele não ser só dá mais força para a ideia de que não importa nem se a pessoa está envolvida em um caso de agressão, nem se ele não é tão essencial assim para a trama: ele vai seguir impune.

Por fim, lembro que sim, eu realmente acredito na ressocialização e recuperação das pessoas, mas isso não significa que eu deva aceitar impunidade. E é isso que esse caso GRITA em todos os seus aspectos. Sem falar que em menos de um ano após as denúncias Depp já está sendo não apenas defendido, mas também vangloriado e recebendo aplausos. E, meus amigos, se isso não é um belo tapa na cara de qualquer pessoa que luta pelo fim da violência contra a mulher e sua banalização, eu não sei mais o que é.

AMOR (IM)PROVÁVEL

Quando a noite cai, surge a mais solitária das estrelas. Sirius, a estrela mais brilhante do céu noturno, brilho esse que atrai muitos olhares. Nenhum que a fizesse feliz. Não posso dizer que ela não conhecia a felicidade, mas garanto a vocês, ela estava incompleta. Sempre cercada de outros como ela, sempre cercada de outros diferentes dela, sempre olhando ao redor à procura de algo mais.

A noite caiu, Sirius surgiu. Sua procura estava quase no fim quando se deparou com o olhar do Astrônomo. Seus lindos olhos a atraíam de forma extrema, era como se eles fizessem um pedido… “Sorria para mim, minha linda estrela”. E assim ela o fez.

E essa cena foi se repetindo por muitas noites. Eles se encontravam (da maneira que lhes era possível), conversavam, sorriam, se olhavam, se sentiam, se amavam. Mas Sirius tentava ir contra tudo o que se passava. Como poderia se deixar apaixonar por alguém tão inalcançável? Jamais poderiam ficar juntos!

Ela quis aumentar a distância entre eles, mas não conseguiu. E de que forma? Não era possível se afastar, tarde demais para fugir e intenso demais para ignorar.

Ao mesmo tempo em que ela negava seus sentimentos, ela também se apegava. Passou a enxergar um homem incrível. “Ele é tão inteligente, dedicado, carinhoso, verdadeiro, apaixonado… eu estou apaixonada”, assim ela começou a pensar.

O Astrônomo alcançou o coração da estrela. E de tal forma, que não foi necessário criar uma galáxia para viverem juntos, Sirius desceu do céu só para poder entregar todo o amor que ele despertou dentro dela. Não era mais necessário procurar por algo que a fizesse feliz. A estrela mais brilhante do céu noturno uniu-se a um Astrônomo para provar ao mundo que o amor existe para todos. Não importa onde você está.

A princesa à frente de 10 mil

Possível registro de Aqualtune

Aproveitando o mês da visibilidade negra, mas um ícone de resistência histórica será enaltecido, e esse ícone é Aqualtune, a princesa do Congo, que no ano de 1665, Aqualtune comandou um exército de 10 mil soldados congolenses contra uma invasão – alguns dizem que de portugueses colonizadores, outros de uma tribo inimiga. Todavia, infelizmente perdeu, sendo capturada e seu pai, o rei do Congo, morte e tendo sua cabeça exposta em praça pública.

Sendo levada até o forte de Elmina na época, em Gana, foi batizada por um padre católico e marcada a ferro com uma flor acima do seio, acabou sendo vendida como escrava reprodutora. Desembarcando em solo recifience, acredita que tenha chegado já grávida de outro negro escravo, pois havia sido estuprada diversas vezes durante sua travessia no mar. Ao chegar ao Recife, Aqualtune tentou se jogar no oceano, na tentativa de voltar para a sua já muito longica terra natal.

Ouvindo falar do ” Reino dos Palmares” já num estado avançado de gravidez, a princesa se juntou a um grupo de escravos que iria destruir a Casa Grande e fugiu para Palmares, chegando por lá com mais de 200 refugiados, tendo sido reconhecida sua origem real.

Dando a luz ali a dois dos maiores lideres do Quilombo dos Palmares: Ganga – Zumba e Ganga Zona, conhecidos por sua liderança e coragem, Aqualtune deu a luz também a Sabine, mãe de Zumbi dos Palmares.

Sua morte possui muitas controvérsias, alguns dizendo que ela foi queimada durante as expedições e outros que ela conseguiu escapar e morreu de velhice anos depois, mas de uma coisa a história esta certa, Aqualtune, princesa do Congo, deve ser lembrada como um grande ícone feminino de resistência até a atualidade.

Incorporando o vísceral na pintura

Desde que eu entrei no movimento feminista e agreguei isso tanto a minha vida quanto em internet, tenho ganhado uma enorme soma de amigos maravilhosos – awoman – e um desses foi o Juno Lavigne.

Homem trans e dono muito recentemente da page Juno Dexter – Art , fui arrebatada muitas vezes pelos seus textos didáticos e esclarecedores sobre inúmeros aspectos de seus transtornos neuroatípicos, como autismo e disforia corporal, e por sua arte, que expõe seus sonhos mais intrínsecos e perturbadores, revelando mesmo que indiretamente e não plenamente a sua verdadeira face e vivência como pessoa transgênero, algo que ele transmite através de suas pinturas sem querer falando coisas muito íntimas aos espectadores; algo muito pessoal, que para os mais sensivéis desenvolve certa estranheza e simpatia as obras que abusam do vermelho e tons mais escuros por motivos óbvios, para quem acompanha suas postagens.

Vide algumas perguntas sobre as influências do seu trabalho e sentimentos sobre o mesmo:

>  Como surgiu seu primeiro quadro?

Mano, eu não sei, na real eu sempre gostei de arte, e meu pai sempre me estimulou a desenvolver isso, assim, na real meu primeiro quadro eu devo ter feito antes de completar 4 anos -e vou aproveitar pra lembrar que deve ter ficado uma merda, anyway, eu só comecei a levar minha arte a sério de verdade ano passado, quando eu percebi que passar meus sonhos pro papel não era uma “brincadeira” (risos).

> Que relação seus quadros possuem com os seu autismo e outros “transtornos”  neuroatipicos? E com a sua transexualidade?

– Isso depende, cada quadro tem uma relação muito íntima com uma ou mais questões muito intrínsecas de mim, alguns quadros eu mostro pessoas com os seios mutilados e feridos, eles podem representar minha disforia (na vrdd vc precisaria ser cego pra não entender que se trata de uma pessoa disfórica na imagem ), assim como eu tenho quadros que falam de crises, auto-mutilação etc, figuras com rostos cansados, sangue, lâminas e presas em camisa de força tão aí pra representar essas questões
O que os quadros mostram é só uma mistura, na verdade, de todos os meus sonhos e sentimentos, que foram de alguma forma “cuspidos” no papel. Uma vez que a arte é o que eu tenho feito pra não me matar no fim do dia, a relação que minhas pinturas possuem com meus transtornos e minha transexualidade é essa: eles impedem que a depressão e a disforia me consumam até o ponto de o pior acontecer. E quanto ao autismo, bom, ele na verdade me ajuda a querer pintar mais e mais.

 

 

> Você acha que seus quadros merecem ganhar um grande reconhecimento ou são só um hobbie seu mesmo?

–  Mano, isso é meu trabalho (risos) é o que eu pretendo fazer no futuro, eu não sei se sou a pessoa mais apta a dizer se eles merecem um grande reconhecimento porque minha relação com eles é muito pessoal, o que eu vejo não é nada do que você vê. Você pode ver um menino disfórico e com problemas de auto-imagem e auto-mutilação ou qualquer outra coisa, pode ver só quadros bonitos e um bom uso dos elementos dos quais a arte dispõe, mas man, quando eu olho pra um desenho meu, eu revivo tudo que me levou a fazer ele. Então sim, eu acho que a minha arte é boa e merece o devido reconhecimento, mas eu não sei se posso ditar quanto reconhecimento eu mereço ou não, porque eu estou envolvido demais com minha obra, de uma maneira que não consigo julgar ou, de alguma forma, dar uma opinião realista e imparcial.

> Você acha que esta passando um recado para as outras pessoas? E se não, que recado você queria passar sobre transexualidade e transtornos neuroatipicos para as pessoas?

– Eu não sei se estou passando algum recado, eu não penso em passar nada específico quando eu faço meus quadros, eu simplesmente reproduzo um monte de sonhos e sentimentos, e eu acho que a interpretação disso, tipo… bom, é claro que a MINHA interpretação sendo tão abstrata e pessoal não vai ser a interpretação universal, isso simplesmente vai caber a cada um né, a única coisa que eu procuro passar pra tela é o sofrimento, meio cru até, porque é a única maneira que eu tenho de “tirá-lo” de mim naquele momento. Então… eu não estou tentando dizer alguma coisa específica com esses quadros, eu só estou pintando.

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora