Uns minutos de total descontrole e caí, sabe-se lá como, em um mar de dúvidas e opiniões sobre a onda de pessoas que passam pela nossa vida e, principalmente, o tanto que eu acreditei que durariam para sempre.
(Um asterisco fofo: eu sempre acreditei que todos nós temos, ou teremos, uma pessoa para a vida toda.)
Tudo bem se eu me tornar uma pessoa ingênua à partir de agora, mas eu simplesmente não consigo mais acreditar na ideia de que as pessoas apenas vem e vão. Não consigo ignorar o fato de que eu, pau para toda obra, passo na vida das pessoas com mesma frequência que almas em fuga desaparecem de listas de contatos e números de emergência, e por vários anos eu achei que o problema fosse eu.
E talvez seja mesmo.
Por mais que eu ache linda essa coisa de você criar uma conexão rápida com alguém, no meu caso, conexões não salvam amizades fracas que surgem quando a agenda deixa. Ao meu ver, amizade é mais do que ir do começo ao fim em 3 meses, e talvez hoje eu entenda o por que.
Amizades instantâneas não me nutrem. E talvez não nutra ninguém.
A ficha só cai quando trombamos de frente com nós mesmas, em outras pessoas, com outras vozes, outras histórias e formas de encarar aqueles medos que achávamos que só nós tínhamos, mas não é assim. Os traumas são sempre pessoais, e nada me faz discordar, mas todo mundo tem medo, assim como eu. Assim como você.
O interessante, no meu caso, é o quanto eu menosprezo a minha história por achar que não vivi o suficiente, que não cresci o suficiente. Eu sempre fiz questão de não passar na vida das pessoas apenas com o intuito de colar os meus pedaços para poder seguir em frente, já que eu sei que existe alguém ali. Existe um histórico, regras, situações, mudanças. Somos pessoas com sonhos e planos. Não convém usar os outros como cola provisória para problemas de estimação.
Não vale cair na ilusão de uma conexão estilo macarrão instantâneo, mas quando você foge e as coisas continuam durando, é porque vai além. Vai conversas, risadas, piadas internas, planos, divisão de sonhos.
“Amizade”, talvez?
