Short curto e cabelos na cintura
Via de baixo para cima pela falta de altura
Inocência minha pela falta de idade
Mas metralhavam a moça por estar à vontade
Apelido não positivo é o que mais chovia
E, vira e mexe, na rua eu a via
As mulheres daqui a olhavam com desdém
As mesmas que se auto chamavam “mulheres de bem”
O tempo então, como sempre, voava
E sempre que a mesma moça passava, eu olhava
Percebi que xingava a moça sem nem perceber
Até que um dia pensei “O que ela fez para você?”
Me choquei com a resposta, pois não havia nenhuma
Se ela quiser, use salto, vestido ou pluma
Dali senti a liberdade saindo de dentro
Quando aprendi a ver a moça sem julgamento
Enxerguei a rivalidade que me foi imposta
Nos jogam contra todas com um tapa nas costas
Passei a vê-la com inveja branca
Abri a cabeça e quebrei a tranca
Soltei o cabelo, abusei do decote
Não somos cabritas, não existe “o bode”
Permiti me tornar um ser humano só meu
Hoje a cabeluda de short sou eu

3 comentários em “Uma mulher – nada – de bem”