
De repente me vi fazendo tudo certo
Escolhendo bem as palavras
Os tons
Os gestos
Os caminhos eram sempre retos
Sem buracos
Lombadas
Curvas
Descidas ou subidas
Nada de emoção ou surpresa
Os erros
As falhas
As angústias do não sei
Os risos e os choros
De um tudo
De algumas coisas
E do nada
Eram apenas a sombra rala da imagem quase transparente de um horizonte inalcançável
Sufoquei.
Era a terra ou a era da perfeição?
Era um mundo sem Deus
Sem Cão
Sem as espertezas inocentes dos gatos
E os tropeços do homem
Éramos máquinas?
Assustei.
Enfim, acordei do pesadelo com minha angústia já denunciando o mundo real certificando-me de que minha vida é ainda é um verdadeiro jazz.
