
Dificilmente se consegue sair ileso do foco de Diane Arbus. Ainda hoje os seus registros mexem com os preconceitos, padrões e nervos da sociedade, do expectador que vê o belo como uma caixa, na qual poucos cabem. Uma vez que ela se concentrou em buscar pessoas que não estampavam revistas e nem caminhavam por passarelas.
Na contramão do American way of life, Diane abandonou a fotografia de moda – e um casamento – para se dedicar a modelos reais. A essência do seu trabalho consistia em conhecer, compreender e registrar pessoas, grupos e famílias que estavam em desacordo com o que era considerado certo ou normal.
Assim, Arbus registrou pessoas de quem a maioria desviava o olhar, que estavam à margem da sociedade. Seus modelos eram grupos discriminados, rotulados como anormais e impróprios para convivência. Muitos deles levavam a alcunha de freak e eram, por isso, atração de circo –literalmente.
Diane os fotografava em seus ambientes e momentos cotidianos, íntimos, como se não existissem o preconceito e a segregação. Clicados sem nenhuma vergonha de demonstrar o que eram. Por meio dessas fotos eles podiam expressar suas identidades, independente da imagem que as outras pessoas possuíssem deles.
O propósito dessa abordagem era fazer com que as pessoas se despissem da imagem pública que vestiam em busca de aceitação, tanto modelo, quanto expectador. A fotografia de Arbus procurou mostrar que por trás da imagem classificada (erroneamente) como bizarra, existiam os sentimentos de dor, alegria, ódio, amor, prazer. Emoções inerentes à humanidade e que nos tornam essencialmente iguais.
Dessa forma, ela fez de suas fotos não apenas imagens tocantes, mas um registro poético da história e dramaticidade carregadas pelo indivíduo retratado. Além disso, seus ensaios continuam pertinentes, levantando reflexões extremamente atuais e necessárias.
Afinal, vivemos na sociedade do espetáculo; cultuamos a imagem em detrimento da identidade; continuamos fazendo das diferenças uma justificativa para a exclusão e ainda metemos as pessoas em caixas chamadas carinhosamente de padrões.








Diane Arbus, Man Being a Woman, 1960

Dicas extras:
- Mais fotos, informações e documentários sobre a vida e obra de Diane Arbus clique aqui e aqui
- O filme A Pele (Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus, 2006) com Nicole Kidman e Robert Downey Jr. apresenta um retrato imaginário e fictício da vida da fotógrafa Diane Arbus, apesar de não ser uma biografia, mostra um pouco do processo de criação de Diane, que consistia, entre outras coisas, de conhecer, conversar e conviver com que pousaria para ela. Confira o trailer:
