Não queria ter de desperdiçar meu tempo afirmando que existe uma cultura do estupro! Mas, infelizmente, isso é preciso.

Não queria ter de desperdiçar meu tempo afirmando que existe uma cultura do estupro! Mas, infelizmente, isso é preciso

 

Não importa o nome dado, estupro é estupro, apesar da relutância vinda de alguns que se negam em reconhecer quando esse estupro acontece. É constante o hábito de modificar o nome da ação para que assim ela passe a ser justificável, aceitável, perdoável, engraçada.

Ok, ok! Vou pegar leve com os leigos e explicar.

Estupro segundo o dicionário: crime que consiste no constrangimento a relações sexuais por meio de violência; violação.

Estupro segundo o Wikipedia: estupro, coito forçado ou violação é a prática não consensual do sexo, imposto por meio de violência ou grave ameaça de qualquer natureza por ambos os sexos.

Estupro segundo a legislação brasileira: constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. O crime pode ser praticado mediante violência real (agressão) ou presumida (quando praticado contra menores de 14 anos, alienados mentais ou contra pessoas que não puderem oferecer resistência). Logo, drogar uma pessoa para manter com ela conjunção carnal configura crime de estupro praticado mediante violência presumida, pois a vítima não pode oferecer resistência.

Vários locais onde se pode pesquisar esse termo. TODOS  em comum acordo quanto ao ser um ato violento e criminoso. Por que certas pessoas não entendem dessa forma? Alguns dos motivos para essa falta de consenso quanto ao que podemos ou não considerar estupro são: abuso sexual e assédio sexual.

cultura do estupro

cultura do estupro

Muita gente entende que esses dois termos que citei a cima são menos agressivos que o estupro e, por isso, mais aceitáveis. E é essa tentativa constante de maquiar as diversas faces da agressão sexual que alimenta as mentes das pessoas que defendem tais atos de violência como pequenos, de pouca importância e até mesmo “invenções de feministas mimizentas”.

Abuso sexual: qualquer forma de constrangimento sexual sobre um indivíduo em situação de inferioridade, envolvendo ou não violência física.

cultura do estupro

Assédio sexual: fazer uso de palavras de baixo calão para ofender ou “elogiar” uma mulher, indiretas sexualizadas dirigidas à mulheres que não às pediram ou permitiram e até mesmo tocar-lhe o corpo (como acontece em ônibus, festas e no trabalho também) sem consentimento da mesma.

Percebe como são atitudes de violação, agressivas, humilhantes e abusivas, assim como o estupro? E, assim como o estupro, são tidos como consequências de atos errados cometidos pela vítima. Veja só:

  1. – andar com roupas curtas ou justas é pedir para sofrer alguma dessas agressões a cima;
  2. – estar na rua até tarde também é;
  3. – beber então, nem se fala;
  4. – jamais pense em pedir respeito, direito de ser, estar, usar, seja o que for. Você está errada, tem que aceitar a agressão e ainda fica sendo a puta que provocou tal ato.
Esses pensamentos estão muito enraizados em nossa sociedade patriarcal, partem das palavras mais simples até a violência em si. E é essa escala de definiu o que é a cultura do estupro.
Cultura do estupro é:
  1. – duvidar da mulher que conta ter sido estuprada;
  2. – levar em conta o passado ou vida sexual da vítima;
  3. – acreditar na malícia naturalmente existente na mulher;
  4. – objetificação do corpo feminino existente na publicidade, na TV, na literatura, etc;
  5. – ensinar a não ser estuprada ao invés de ensinar à não estuprar;
  6. – achar aceitável fazer sexo em alguém enquanto está embriagada, dormindo, desmaiada;
  7. – ter medo de ser uma mulher sozinha saindo do trabalho a noite e achar natural;
  8. – duvidar da real existência de quaisquer violência contra a mulher;
violência
Reprodução/Internet

O silenciamento contribui com a cultura do estupro. Se os casos de violência são tidos como naturais, então para que vamos investigar? Não a motivos para pedir ajuda a família, denunciar seu vizinho, entregar seu patrão. Mães, amigos, tias, colegas de trabalho, delegados, professores, juízes, jornalistas, todos unidos para jogar um caso de estupro, abuso e assédio para debaixo do tapete.

Eu pude perceber que a nomenclatura ajuda a definir o que é ou não relevante, assim como as regras impostas pela sociedade. Siga essas regras de forma indubitável, se mesmo assim você passar por alguma situação de violência sexual vamos ver se podemos enquadrar o caso em alguma  lista mais aceitável.

Com tudo isso, ainda encontramos pessoas que desconhecem ou negam a existência da cultura do estupro. Preferem agir fingindo que não são coniventes com atitudes que permitam um ato abusivo em sua sociedade perfeita. Ou pior, elas REALMENTE ACREDITAM não ser. Isso dificulta tudo não é? Como lutar contra algo que acredita não existir? Como lutar contra algo que acredita ter sido culpa sua?

Freiras fingem ser prostitutas para libertar mulheres e crianças do tráfico humano

Imagem: reprodução/internet

Um grupo de freiras superam na forma de resgatar vítimas do tráfico de mulheres e crianças. Elas se infiltram em bordeis fingindo ser prostitutas e tentam ajudar mulheres que sejam mantidas à força nesses locais.

Nossas heroínas também utilizam do dinheiro a favor da liberdade infantil. Elas “compram” as crianças que são vendidas pelos pais como escravas. Existem casas especificas preparadas para receber as crianças resgatadas aqui no Brasil, na África, nas Filipinas e na Índia.
Reprodução/Talitha Kum
A organização tem o nome de Talitha Kum, Rede Internacional da Vida Consagrada contra o Tráfico de Pessoas.

Reprodução/Talitha Kum
A instituição age em 80 países diferentes e conta com cerca de 1100 de mulheres. Elas explicam que cerca de 73 milhões de pessoas (cerca de 1% da população) são traficadas de alguma forma no mundo. Desse número, 70% são mulheres.

Reprodução/Internet
John Studzinski, banqueiro e diretor da entidade, disse que as irmãs não confiam em ninguém. Elas não confiam nos governos, não confiam em corporações, e não confiam na polícia local. Em alguns casos, elas não podem confiar nem no clero masculino.

Vale muito a pena conhecer o trabalho delas. O tráfico de mulheres não recebe o devido valor das autoridades. Ainda enxergam como garotas que escolheram ser putas e se divertem vivendo ao lado de bandidos que as maltratam e exploram em quanto acham vantajoso.

Esperamos que o trabalho realizada pelas freiras sirva como modelo e inspiração para que um dia não tenhamos mais que temer o trafico humano.

Quem é você?!

Ela sabe o que eu penso. De olhos vendados e braços abertos para toda e qualquer aventura, é assim que eu a sinto sob o olhar de um vazio: Serena, imutável, ausente.

Um pequeno momento em que me recolho ao inatingível, ao mais próximo do miserável e longínquo sonhador. Sou o contento de um instante perpetrado nessa eternidade de sonhar.  Fantasia pura, tocada pelo desejo daquela que, com gestos de loucura, coexiste em minhas invenções de por um pardo momento não existir.

Atravesso com olhar intrigante e desiludido a ambição dos movimentos que se combinam. Tudo ali se constrói em um cenário de muitos sentidos.  Quem me dera se, de verdade, eu estivesse presente nas percepções de um segundo.

 Usurpada pelo espectro de um ser irredutível na sua rigidez mais tangível para não estar ali, toco vacilante a imagem que me seduz.  Fecho meus olhos e me sinto parte singela de uma realidade que se contempla com os pés fora do chão. Ao fechar a porta, é como se tivesse perdido para sempre o caminho que me levaria de volta para casa.

Pesquisa para diagnóstico precoce do câncer de mama concorre a vaga em iniciativa de Harvard

O câncer de mama mata milhares de mulheres no Brasil, e a grande culpada é a demora para sua confirmação e tratamento. Se diagnosticado em estágio inicial, o câncer pode ser curado, do contrário, não recebendo o tratamento imediato, ele pode se alastrar para órgãos vitais como ossos, pulmão e fígado, levando à morte.
Diante da imensa demora que o diagnostico do câncer leva para receber confirmação, a brasileira Andresa Paixão realizou uma pesquisa para a utilização de uma técnica que visa detectar o câncer antes mesmo da formação do tumor.
A descoberta está concorrendo no Village to Raise a Child 2016, programa de empreendedorismo social da Harvard University. O programa seleciona cinco projetos do mundo todo, os mais votados passam de fase, podendo, assim, serem concretizados. Você pode votar para ajudar a Andresa (e com isso, milhares de pessoas) aqui: https://www.wishpond.com/lp/1696760/entries/112310456
Conversamos com a Andresa, para que ela pudesse falar melhor sobre seu projeto. Ela explicou que o projeto é um biomarcador. “O organismo da pessoa que está com câncer produz algumas substâncias e proteínas em reação ao desenvolvimento e presença do tumor. Dessa forma, a partir do momento em que houver quaisquer evidências da produção e/ou elevação dessas substâncias, o biomarcador detectará, e haverá a confirmação da enfermidade”.
Ela conta também que tais substâncias são encontradas facilmente na saliva e na urina, e que o tumor não precisa existir para detectá-las, bastando a produção das mesmas para o diagnóstico da doença. “Esse exame pode ser feito por qualquer mulher em qualquer idade. Estudei diversos tipos de biomateriais disponíveis para produção do biomarcador, mas para o desenvolvimento preciso conseguir apoio. E o concurso oferece as ferramentas para o desenvolvimento”.

A poética necessária : Ana Cristina Cesar


Aproveitando o mês de aniversario, e também a Flip deste ano que homenageia a autora, selecionei cinco fragmentos para se (re) apaixonar por essa mulher que retalhava cotidianos transformando-os em poesia marginal.
 Sempre recriando a si mesma, Ana era a perfeita mistura da modernidade e cotidianos turbulentos escrevia com uma sentimentalidade intensa e passional, assim como todo o resto de sua vida.

        1-    Samba canção:
    “ fui mulher vulgar, 
      meia-bruxa, meia-fera, 
      risinho modernista 
      arranhando na garganta,
      malandra, bicha,  
      bem viada, vândala, 
     talvez maquiavélica, 
     e um dia emburrei-me, 
     vali-me de mesuras “



  2-    pouso a mão no teu peito
   mapa de navegação
   desta varanda
    hoje sou eu que
    estou te livrando
    da verdade

    3-     Fevereiro:
Quando desisto é que surges
Quando ruges é que caio.
Quando desmaio é que corres
 Quando te moves me acho
Quando calo me curas
E se te misturo me perco…”


      4-    Ciúmes:  
“Sinto ciúmes desse cigarro que você fuma tão distraidamente.”

5-    Esqueceria outros:
“Pelo menos três ou quatro rostos que amei Num delírio de arquivística organizei a memória em alfabetos como quem conta carneiros e amansa no entanto flanco aberto não esqueço e amo em ti os outros rostos”

Apesar da grandiosa obra é bem difícil encontrar fragmentos da poetisa na internet, mas é possível encontrar sua coletânea realizada pela companhia das letras no link: https://companhiadasletras.paginaviva.com.br/carrinho.cfm?id_ProdutoLoja=9788535923629 

Ser o que sou – por Kéuri Santos

Reprodução/Internet

Eu gosto de cálculo, biologia e ciência, mas também gosto de cozinhar. Faço ballet e passo horas fazendo ponto cruz mas também gosto de catuaba e cerveja. 

Nunca fui boa em videogame mas eu gosto de tentar, nunca aprendi a dirigir mas isso nunca me impediu de chegar onde eu quisesse. Eu gosto de ler e amo estudar, mas eu também amo ir à academia, sair à noite e voltar de manhã.
Ter filhos é um dos meus maiores sonhos, assim como terminar três graduações, fazer mestrado e doutorado. Agora aqui no meu computador tem aba aberta sobre planta, psicologia, circuitos eletrônicos, sexo, fisiologia, blog de moda e política. Eu nunca fui uma coisa só, nunca me encaixei na ideia bizarra de que mulher TEM QUE SER algo – porque desde que a gente nasce somos definidas pelos outros, nunca por nós.

Eu passei muito tempo confusa por gostar de tudo e por muito tempo não consegui ser uma coisa sem me culpar por não ser outra. Até o dia em que eu entendi que eu só tenho que ser o que eu quiser, mesmo. 
O absurdo é que esse texto tenha tantas palavras “mas”, porque na realidade estudar pra caralho não tem nada a ver com gostar ou não de ir pro bar. Eu gosto de carnaval e de física quântica, sou sensível e tô aprendendo a reagir quando devo, sou namorada e independente, curto maquiagem e as vezes passo meses sem depilar a perna e bem, nenhuma dessas coisas anula a outra, e o principal: ninguém tem merda alguma a ver com isso, eu posso ser e sou muito mais do que qualquer um ache que eu deva.

Quem escreve

Kéuri Santos, 23 anos, estudante de Neurociência na UFABC por paixão e professora de inglês por amor.

5 filmes leves que (também) passam nos testes de Bechdel e Mako Mori

Imagem: reprodução/internet

Nós já tivemos aqui no blog uma lista com 5 séries que passam nos testes de Bechdel e Mako Mori. Para entender mais, leia aqui. Ainda estamos devendo a continuação desse post, mas ela virá, juro! Enquanto isso, trago hoje uma nova lista, dessa vez de filmes que passam nos mesmos testes. 

Para dar uma filtrada, eu optei por filmes pop (como pede a coluna) e mais leves pra essa primeira parte. Novas listas devem aparecer por aqui, e assim vamos trazendo filmes diferentes, com outras propostas. Por enquanto, vamos focar em produções divertidas, mas que além de passarem nos dois testes, fogem de estereótipos e trazem boas mensagens para o público feminino, ao mesmo tempo em que entretêm.
Mais uma vez, para evitar que surjam spoilers em todos os tópicos e não escrever uma página pra cada filme, não vou citar exatamente quais os motivos para esses filmes passarem nos testes. Então pega na minha mão e confia em mim! Nessa primeira leva, vou fazer dois posts: o primeiro só com live-actions e o segundo só só animações. Serão 5 filmes em cada lista. Enfim, chega de falazada! Espero que gostem das sugestões!
Para Sempre Cinderela

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Eu amo esse filme e vou defendê-lo! Pra começar, é uma versão de Cinderela em que a protagonista não é completamente feita de trouxa submissa à madrasta e às irmãs malvadas (que nesse filme é uma só, a outra é boazinha ❤ ). Danielle (Drew Barrymore) tem gênio forte e desafia ordens não apenas uma vez, mas várias.

Melhor – Cinderela – EVER

Uma das melhores coisas do filme é a relação de Danielle com o príncipe. POSSÍVEIS SPOILERS, MAS TODO MUNDO JÁ DEVE TER VISTO ESSE FILME. Pra início de conversa, temos um ponto em que os papéis de mocinho e mocinha se invertem, e ELE é salvo por ELA. Gente, isso já é lindo demais e nem precisaria de mais motivos pra acharem esse filme maravilhoso.
Meninas Malvadas

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Assim como minha lista anterior tinha um item obrigatório, esta aqui também tem. Se a gente fala de um filme leve e divertido que passa nos dois testes, na hora vem à mente Meninas Malvadas. Mais uma pérola da Tina Fey, a história gira em torno de Cady (Lindsay Lohan), que viveu até os 16 anos na África com os pais zoólogos, e agora tem que se integrar numa escola normal.

Jingle Bell Rock!

O filme retrata rivalidade feminina como “um mal a ser combatido”, o que já é um ponto positivo. A mesma cena que põe essa rivalidade por terra (que não vou dizer qual é mesmo sabendo que todo mundo viu esse filme também) ainda ressalta que cada um é importante à sua maneira. Isso tudo, na roupagem de uma comédia adolescente super divertida.

Histórias Cruzadas

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Tá que a mensagem desse filme não é exatamente leve, mas especialmente a forma como ela é apresentada o transforma num filme divertido, sem perder o potencial de fazer pensar. Ele retrata o racismo sofrido pelas empregadas negras durante a década de 60, que acaba virando tema de um livro escrito por uma jornalista.

“Ninguém nunca me perguntou como era ser eu”
Ter a Viola Davis já é mais que motivo pra alguém ver qualquer coisa, só falando…

Eu não vou entrar no mérito da relação pessoa-branca-que-salva-pessoas-negras, porque não me acho a melhor pessoa para falar disso. Por isso foco na forma como o filme trata segregação racial, e o fato de que mesmo após o fim da escravidão, os problemas dos negros ainda estavam (e infelizmente, ainda estão) longe de acabar. 

Mamma Mia

Imagem: reprodução/internet

Eu amo ABBA. Dancing Queen leva a movimentos involuntários no meu corpo, e eu literalmente quebrei meu computador para poder assistir à cena de The Winner Takes It All nesse filme (longa história). Então é tamiresmente impossível (neologismo egocêntrico <3) deixar de falar dele. A lista de pontos positivos desse filme é enorme, então fiquem com a sinopse e ASSISTAM.

“Eu sou livre e sou solteira”
E também é maravilhosa!

Sophie (Amanda Seyfried) vai se casar, e quer descobrir quem é seu pai, para que ele possa levá-la ao altar. Ela lê o diário de sua mãe, Donna (Meryl Streep) e descobre três possíveis candidatos e envia convites para todos. Eles acabam aceitando, desejando reconquistar Donna, que se vê numa enorme confusão, segundo o locutor da Sessão da Tarde

Matilda

Imagem: reprodução/internet

Matilda (Mara Wilson) é uma menina extremamente inteligente que nasceu na família errada. Maltratada e menosprezada a vida toda, ela descobre o amor pela leitura e, em um certo momento, desenvolve telecinese. O que poderia ser uma segunda versão de Carrie, a Estranha é um dos filmes infantis mais adoráveis, na minha opinião.

“Aqueles livros deram a Matilda uma mensagem esperançosa e reconfortante: você não está sozinha”
Simplesmente amorzinho ❤

A menina acaba usando seus poderes para superar seus problemas e se divertir, além de ajudar sua professora, Jennifer (Embeth Davidtz), a superar seus medos e problemas do passado. A união e a amizade entre as duas é construída de uma forma delicada, e acaba que é isso que faz com que ambas possam vencer os obstáculos da trama.

E aí? Gostaram da lista? Têm sugestões pra gente? Conta nos comentários, e esperem por mais posts como esse!

Alter Ego


– Ela tem um gênio forte.
– Ela tem fraco por comida, mas não come qualquer coisa.
– Ela é muito mal humorada.
– Garota cheia de defeitos.
– Ela não usa se for rosa.
– A música fica muito alta quando ela quer.
– Sabia que ela só gosta de cozinhar sozinha?
– Menina cheia de vontades.
– Ela não sai depois das 22h.
– Sopa só se for cremosa.
– Café só com leite.
– Nossa, mas é cheia de manias.
– Fica falando sobre o racismo.
– Ela fica defendendo o feminismo.
– Você viu que ela é a favor do aborto?
– Credo, ela é do grupo do mimimi.
– Ela ganhou alguns quilinhos.
– Tem o cabelo tão armado.
– Podia passar uma maquiagem.
– Mas ela é mulher, tinha que ter vaidade.
– Ela brinca com cachorro sujo na rua.
– Fica com a cara enfiada em livros.
– Sabia que ela ainda assiste Bob Esponja?
– Que garota esquisita.
– Fica dançando essas músicas de Rap.
– Tem hora que anda toda largada.
– Às vezes fala feito barraqueira.
– É uma favelada mesmo
– Não sabe andar de bicicleta.
– Também não sabe nadar.
– Nem assobiar.
– Mas de que mundo ela veio?
– Ela é mandona.
– Gosta de dar palpite em tudo.
– Age como se sua opinião importasse.
– Essa garota nunca vai ser feliz com ninguém.
– Mas essa garota já é tão feliz consigo mesma.

Sobre o tablado

Foto: reprodução/internet
Os pés sobre o tablado, movendo-se em um ritmo ora lento, ora frenético. As batidas compassadas na madeira chegam a criar uma melodia. A ausência de música passa despercebida diante dos movimentos do casal.
O tecido leve do vestido dela esvoaça a cada passo. Um rodopio, um salto, pernas ao ar. Ele mantém o contato visual todo o tempo ao se aproximar dela. Os dois estão unidos agora, fazem todos os passos assim. Em um abraço, com seus movimentos mais sincronizados que nunca.
Sapatilhas deslizando pelo chão, corpos se deslocando graciosamente. Mexendo seus quatro braços, entre encantadores arcos e retas perfeitas. Feições serenas e ao mesmo tempo apaixonadas, olhos faiscantes e lábios movendo-se como se cantarolassem mantras silenciosos.
Os dois corações aceleraram violentamente, mas sempre no mesmo ritmo. Chega o momento do ápice, que exige de ambos a mais perfeita precisão. Se afastam lentamente, primeiro pela cintura, depois desprendendo os troncos, os braços e só então largam-se as mãos.
Andando graciosamente ela se afasta, enquanto ele se prepara. Ela corre com a levesa de uma garça prestes a levantar voo. Ao chegar no ponto exato, salta. Ele a ampara no ombro, e com uma delicadeza sublime vai rodopiando-a ao redor do próprio corpo, envolvendo-se por ela até os pés da bailarina tocarem o chão.
Gradativamente, seus batimentos cardíacos vão abrandando enquanto tornam a dar passos mais leves, mais uma vez unidos. Ele ergue-a do chão pela cintura, e ela rodopia ao pisar novamente no tablado.
Olhos, cabelos, braços, pernas, tronco, mãos, dedos. Corpo, pele, perfume, som. Passos finais. Mais uma vez, ele a suspende, fitando seus olhos. Desce seu corpo lentamente até que ela possa ficar nas pontas dos pés. Mãos, rostos, nuca, olhos. Lábios.
Se fecham as cortinas. Mas não há cortinas. Nem público por detrás delas, nem cenários na frente, nem palco, nem teto, nem iluminação. A única luz emana deles. Tudo que há são os dois e dois corações na mais perfeita melodia embalando a mais perfeita das danças.

Ser Bonita… – por Josiane Rodrigues

                                                                                            Reprodução/Internet

Xiiii, já perdi as contas de quantas vezes já ouvi a expressão, “Nossaaaaaa!! que negra bonita!”
E isto é um problema, sim, sim é sim.
Vamos começar. Quando você encontra uma mulher branca na rua, que você acha muito bonita você por acaso fala, ”nossa! Que branca bonita!!”, não né? E por que, cargas d’agua, quando vai uma mulher negra precisa primeiro dizer que ela é negra?
Antes que você pense, ué, mas ela era mesmo negra…
Talvez eu consiga te explicar porque. Desde os tempos mais primórdios, as negras não estão inclusas no padrão de beleza, somos o contrário, o não linear, com nossos cabelos crespos e volumosos, ou nossas tranças, coloridas, e toda nossa infinita variedade de tons e cores, somos explosão, indagação, a fuga.
Mas, ainda assim, somos mulheres. E como uma mulher, pura e simples, merecemos o elogio, não por ser fora do comum, porque simplesmente não somos. Existe uma ideia de beleza, em que diversos padrões são impostos e disso todos já sabemos, mas, vivemos aqui neste mundão há algum tempo, temos noção que nem todas as ideias preestabelecidas são a verdade absoluta.
E, vamos combinar né?! não são raras as negras bonitas. Então, caso pense em dizer que uma negra é bonita, esqueça de ressaltar que ela é negra antes do elogio, apenas elogie.

Quem escreve

Josiane, mas prefiro ser chamada de Josi, estudante de letras e amante das milhões de formas que estas tem de juntar-se e assim, me faço poesia, as vezes crítica, as vezes observação, só pelo prazer e o alívio que a escrita traz.
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